Flavio Cruz

A Breve História de Ribeiro na América

Ribeiro, quando veio para cá, tinha um plano claro, simples, objetivo. Trabalhar em construção apenas o tempo para juntar um dinheirinho, voltar para Goiânia e comprar um terreninho nas redondezas. Como conseguiu o visto, não sei. Não sabia falar nem “hi”, mas não teve problema algum na imigração. Encontrou uns amigos que já estavam aqui, se instalou provisoriamente no apartamento e pediu para eles ajudarem a arrumar emprego. Não demorou muito e “ajeitaram” para ele um serviço de telhado. Era longe, mas ele ia de carona com alguém que trabalhava no mesmo lugar. Você começa na segunda, alertou o Mané. Tenha tudo pronto, saímos às 5:30.
     A segunda chega e os quatro amigos partem de carro para a casa onde iriam trabalhar, perto da praia. Ribeiro achava tudo muito bonito, tudo moderno. Às vezes, um pouco esquisito. Mas, não, confirmou para o amigo, o que queria era voltar para Goiânia assim que pudesse, não queria morar aqui. Se desse, faria horas extras, trabalharia sete dias por semana, queria comprar um terreninho, conforme já dissera.
     Lá chega o pequeno grupo, alguém explica em espanhol o que o Ribeiro tem que fazer, seu amigo “traduz” para ele. Ribeiro pega a escada, junta as ferramentas e vai subindo. Estava quase lá em cima, a escada vai um pouco para a direita, Ribeiro se joga para a esquerda para compensar, daí Ribeiro não se lembra mais. Só lembra de tentar aparar a queda com o braço. Ambulância, sirenes, hospital. Ribeiro acordou de novo na ambulância e achou estranha a maneira como se vê as coisas de dentro... Dois enfermeiros ligam aparelhos, conversam e a sirene vai rasgando o céu da cidade, acho que o som ia também para o mar. Será que os peixes também escutavam? Por que tanto barulho, tanta sirene?
     Acorda bem mais tarde, todo enfaixado, os amigos explicando que teria de fazer uma operação alguns dias depois.
Eu sei que você está pensando, que tragédia! Bem, como dizia Einstein, tudo é relativo. Para Ribeiro, nem tanto. Em dois meses e meio, não estava curado, tinha uns “arames” dentro do pulso, teria de fazer muita fisioterapia, mas, por outro lado, ficou sabendo que teria direito a uma indenização. Ribeiro não fez a fisioterapia, ao contrário, com a ajuda dos amigos e do advogado, antes de completar os três meses, conseguiu um cheque de $ 20, 000.00.  Ainda com a ajuda de Mané, foi até o banco e sacou o dinheiro. Três dias depois pegava um avião de volta para Goiânia, Brasil. Como disse o Mané, “um cara de sorte”. Uns “araminhos” no braço e já conseguiu comprar o terreninho. O danado nem chegou a ficar com o visto vencido. Tecnicamente, ficou ilegal por apenas 22 minutos e alguns segundos, enquanto trabalhava.
Ribeiro não realizou o “American Dream” (nem queria, nem sabia o que era isso...) mas realizou um sonho brasileiro, ou pelo menos goiano, em menos de meia hora. Como disse o Mané, “que cara de sorte...”

 

Todos los derechos pertenecen a su autor. Ha sido publicado en e-Stories.org a solicitud de Flavio Cruz.
Publicado en e-Stories.org el 02.05.2015.

 

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