Flavio Cruz

A vaca e os nhe-nhe-nhens

 
Uma leitora sugeriu em um comentário sobre a crônica “Vamos fazer uma vaquinha” que eu falasse sobre a expressão “a vaca foi para o brejo”. Eu já tinha lido sobre o assunto mas fui pesquisar de novo, pois com o tempo e a idade, a gente costuma misturar as coisas. Na verdade, a explicação sobre a origem da expressão é bem simples. Antigamente, na época das secas, o gado, desesperado, procurava por água nos brejos ou em lugares pantanosos. Pesados animais que são, muitos acabavam ficando presos nos lamaçais. Os criadores tentavam socorrer as vítimas, mas nem sempre conseguiam. Por isso quando dizemos que “a vaca foi para o brejo”, queremos significar que a situação ficou difícil, praticamente impossível de se resolver.
Coitada da vaca. Ela não teve muita sorte na nossa história linguística. A outra expressão “vaca de presépio”, também é negativa, atribuída a pessoas que não têm vontade própria, que só fazem o que os outros mandam, como as estatuetas do presépio. E quando chamam uma dama de “vaca”, então? É uma grosseria, cujo significado nem preciso explicar. A vaquinha é um animal tão simpático, que eu quero fazer um protesto com a escolha que o povo faz ao usar o nome de tão agradável ruminante para expressões tão cruéis. Se eu pudesse, criaria uma metáfora bem bonita para ela. Mas chega de nhe-nhe-nhem, que nós não temos tempo para isso, nem as vacas também. Por falar no assunto, essa palavra, nhe-nhe-nhem, vem da língua Tupi, da palavra “nheeng” que significa falar. Os índios se referiam aos portugueses que ficavam falando, falando, coisas sem sentido, pelo menos para eles. Nesse caso eu acho justo. Os índios tinham direito de menosprezar aqueles invasores. Mas as vaquinhas, coitadas, não têm nenhuma culpa no cartório. Aliás, “culpa no cartório” não tem nada a ver com os cartórios de hoje em dia. Ela refere-se aos “cartórios” da época da Inquisição, mas como disse, por hoje chega de nhe-nhe-nhem.

 

Todos los derechos pertenecen a su autor. Ha sido publicado en e-Stories.org a solicitud de Flavio Cruz.
Publicado en e-Stories.org el 03.05.2015.

 

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