Flavio Cruz

Sobre o amor e outras coisas

O amor e outros sentimentos sempre foram objeto do estudo humano. Muito antigamente eram coisas simbolizadas por deuses e havia um deles para cada sentimento.  Palavras como “Eros” e “Vênus”, relacionadas com a mais importantes emoções humanas ainda estão por aqui para provar sua característica eterna. A palavra “venérea” (de Vênus), por ironia, deboche ou zombaria por parte da língua, acabou vindo junto no vocabulário. Não importa, tudo na vida tem uma dupla face. O tempo passou e vieram os tempos pré-modernos e os estudiosos começaram a analisar os sentimentos como mais humanos do que divinos até se chegar à época da psicologia e psicanálise modernas. Essas disciplinas tiraram um pouco da graça do assunto de tanto que explicaram como tudo funciona em nossa cabeça. O amor até foi chamado por outros nomes para ser melhor explicado. Não sou especialista no assunto, mas sei que o nobre amor foi dissecado, repartido, exibido numa relação de causa-efeito, tudo dentro de uma rede de determinismo, fatalismo e muitos outros “ismos”. A gente se conforma com isso e na hora de amar nem pensa nessas explicações todas, pois, convenhamos, perde a graça. Quem quer dar um beijo na amada, pensando em Freud, por mais que “ele explique”.  Já tínhamos nos conformado com esse “amor desnudo” – não é isso que quero dizer, se for isso o que você está pensando – quando mais recentemente, vieram com mais uma. A medicina moderna acabou se metendo na história e começou a também explicar o amor. Para ela o funcionamento pode ser analisado e definido através de um conjunto de neurônios com cargas elétricas, química do cérebro, sei lá mais o quê... Logo, logo, vão vir com uma fórmula matemática. E vocês jovens apaixonados ou que estão para se apaixonar, não se empolguem. Não é nenhuma fórmula para conseguir a paixão de outra pessoa. É fórmula mesmo, números, parênteses e colchetes e tudo que se usa nesse tipo de coisas. Não seria melhor se fosse tudo apenas uma equação, sem solução? Graças a Deus os poetas não acreditam nessas bobagens da ciência e dão, como Vinicius, sua própria definição: “Para viver um grande amor perfeito... É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.” Ou ainda do mesmo querido poeta: “Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure...” Podemos ainda cantar com Maria Bethânia : “Eu não vou negar que sou louco por você, estou maluco pra lhe ver, Eu não vou negar...”

Quanto ao ódio, concordo. Que façam uma análise detalhada, refinada, definitiva e científica. Que achem uma cura pois é uma doença. Quem façam um mapa genético e retirem do nosso DNA. Que façam uma cirurgia e tirem de nosso cérebro. Que façam psicanálise, e se necessário, uma “simpatia”, e tirem de nosso coração. Que aqueles que têm fé, orem e rezem bastante e definitivamente o apaguem nossas almas.

Infelizmente não podemos ter dois pesos e duas medidas e o rancor vai ser estudado junto com o amor pelos cientistas. Para consolo, no entanto, ouvi dizer que o ódio envelhece e o amor não. Sim, tenho certeza de que não envelhece e não é só isso: às vezes, depois de muito tempo, ele ainda rejuvenesce um pouco. Por isso, digo: “nada mais gostoso do que um amor antigo...”

 

Todos los derechos pertenecen a su autor. Ha sido publicado en e-Stories.org a solicitud de Flavio Cruz.
Publicado en e-Stories.org el 21.08.2015.

 

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