Flavio Cruz

O bolo de fubá

A Dona Vicentina era viúva e tinha uma pensão que era de dar dó. Não se sabe a trapalhada que o “seu” Arlindo tinha feito antes de morrer, que o que ela recebia não dava nem para a comida. Ainda bem que ela era uma cozinheira e tanto. Um dia dois conhecidos pediram que ela fizesse os pratos para a festa de recepção de casamento e a coisa foi um sucesso. Daí para a frente, nunca mais parou. Às vezes tinha até de recusar pedidos. Era todo tipo de massa, feijoada, pasteis, salgadinhos, bolos, etc.  Aliás, o seu bolo de fubá era um sucesso. No final de semana saía um monte.
O fato é que com essa renda, dava muito bem para viver. Ela cobrava pouco, mas ganhava na quantidade, era bom para todo mundo. Mas nada dura para sempre. Chegou alguém na cidade e abriu uma confeitaria. Era a “Doçuras da Marta”. Para a Dona Vicentina tornou-se a amargura, entretanto. Ela não era de ficar com raiva, mas magoada ela ficou sim.  Logo de início seu movimento caiu cerca de 60%. Foi uma coisa cruel. As coisas começaram a ficar muito difíceis.
Ela não era, entretanto, mulher de se entregar. Pensou, pensou. Fez as contas e chegou à conclusão de que o segredo estava no bolo de fubá. Ela sabia que tinha de transformar esse item no seu carro chefe. A tal da confeitaria nem sequer tinha um, pois achava que era um produto inferior, perto das guloseimas, algumas até francesas, que eles faziam.
Ela passou alguns dias fazendo e refazendo bolos. Experimentava, experimentava. Colocava castanhas moídas, vanila e outras coisas. Aumentava e diminuía a quantidade. Ela era uma perfeccionista.
Depois ela se lembrou de uma ervinha muito especial que ela tinha no jardim do fundo de casa. Moeu bem e misturou junto com as castanhas e só um pouco de vanila. Ficou uma delícia. Era o produto final.
Para todo mundo que chegava, dava um pedaço do bolo de fubá como amostra. Imediatamente todos adoravam. Quem experimentava ali, já comprava um ou dois. Quem levava um pedaço para casa, voltava mais tarde para comprar o bolo inteiro. A notícia se espalhou. Às vezes chegava até a haver fila na porta da Dona Vicentina. E todo mundo acabava levando um prato salgado também, pois ninguém resistia ao cheiro.
Em três semanas a “Doçuras da Marta” fechou e a Dona Vicentina voltou a todo vapor. Desde o começo ficou bem claro que aquele bolo, talvez por causa dos itens gordurosos, isso eu não sei, não era para ser dado para crianças. Havia uma versão infantil deliciosa para os pequenos.
Ninguém ousava perguntar a receita para ela. Afinal de contas, ela não daria mesmo.
A Dona Vicentina estava feliz e todo mundo também. Quanto à ervinha que ela usava, eu não sei não... o segredo é a alma do negócio.

 

Todos los derechos pertenecen a su autor. Ha sido publicado en e-Stories.org a solicitud de Flavio Cruz.
Publicado en e-Stories.org el 03.05.2016.

 

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